Atividade física na Asma







Na literatura sobre o tema asma, muitos estudiosos apontam que a atividade física traz benefícios para os portadores da doença (GUALDI, 2004; COSTA, 2001; MOISÉS et al., 1993; TEIXEIRA, 1991).

Crianças com asma podem e devem ser fisicamente ativas. A prática de atividade física pode ser uma importante alternativa no combate ao problema (NIEMAN, 1999).

Por outro lado, encontramos na literatura específica sobre o assunto artigos indicando que de 80% a 90% das crianças portadoras de asma são acometidas de BIE (broncoespasmo induzido pelo exercício) durante as atividades físicas. As exacerbações freqüentes das crises e internações de repetição, o uso prolongado e repetido de medicamentos, a diminuição no rendimento e a freqüência escolar, além da limitação às práticas desportivas, interferem na qualidade de vida das crianças, (YAMAMUDA, 1997).

Para Costa (2001), crianças com asma devem ter treinamento físico orientado como parte integrante e importante do conjunto das medidas terapêuticas.

Esse mesmo autor, em um estudo de 1993, afirma que a atividade física para crianças asmáticas é tão recomendável quanto para qualquer outra criança, devido a importância dessa prática para o desenvolvimento infantil harmônico. Entretanto, lembra Costa, é expressiva a percentagem de crianças que, ao realizarem algum esforço físico, iniciam uma crise broncoespasmódica, que poderá ser de intensidade e importância bastante variáveis.

Quando Gualdi (2004) demonstra os benefícios da atividade física para crianças portadoras de asma, ela diz que a melhora da condição física do asmático permite-lhe suportar com mais tranqüilidade os agravos da saúde, isso porque há um aumento da sua resistência, o que lhe fornece reservas para enfrentar as crises obstrutivas. Diz ainda que é de fundamental importância que haja uma regular participação do asmático em programas de atividades físicas, o que, conforme seu entendimento, trará uma série de benefícios, tais como melhora da mecânica respiratória, prevenção, correção e melhoras posturais e, entre outros benefícios, a redução de complicações pulmonares. Essas vantagens foram constatadas mediante a prática regular de natação em crianças com asma de ambos sexos e de faixas etárias de 5 aos 9 anos.

Moisés et al. (1993) dizem que a atividade física é de suma importância para o desenvolvimento infantil. Recomendam para todas crianças asmáticas um programa de Educação Física que leve em consideração as peculiaridades de cada uma delas. Indicam exercícios respiratórios que promovam uma boa ventilação pulmonar, entre outros benefícios fisiológicos que auxiliam na eliminação das secreções brônquicas, o que, inclusive, contribui no desenvolvimento emocional.

Em um artigo publicado recentemente, Lang, Butz, Duggan e Serwint (2004) compararam os níveis de atividade física de crianças com e sem asma e avaliaram os preditores do nível de atividade em crianças com asma.

Pais de 137 crianças com asma e de 106 controles entre 6 e 12 anos de idade atendidos em consultório pediátrico foram entrevistados por telefone. A pesquisa avaliou a atividade total em um dia e o número de dias ativos em uma semana típica; as características da asma e o tratamento; aconselhamento médico; oportunidade para atividade física e as opiniões dos cuidadores sobre a atividade física. Os níveis de atividade das crianças com e sem asma foram comparados. Os preditores do nível de atividade das crianças com asma foram avaliados.

As crianças com asma eram menos ativas do que seus colegas. A quantidade medida de atividade diária diferiu entre os grupos: 116 (asma) versus 146 (sem asma) minutos; 21% (asma) versus 9% (sem asma) eram ativos <30 minutos por dia e 23% (asma) versus 11% (sem asma) eram ativos <3 dias por semana.

Entre as crianças com asma, a gravidade da doença e a opinião dos pais em relação ao exercício e à asma puderam predizer o nível de atividade. As crianças com asma persistente moderada ou grave tendiam a ser ativas <30 minutos por dia (odds ratio: 3.0; intervalo de confiança: 1.2-7.5) e as crianças cujos pais acreditavam que o exercício podia melhorar a asma tendiam a ser altamente ativas 120 dias por minuto (odds ratio: 2.5; intervalo de confiança: 1.2-5.4).

Os autores concluíram que a gravidade da doença e a opinião dos pais sobre a saúde contribuíram para um menor nível de atividade das crianças com asma. Os pediatras deveriam avaliar o nível de exercício como um indicador de controle da doença e orientar os pais para alcançar o objetivo da atividade física normal em crianças com asma.

A partir de fontes do endereço eletrônico www.asmabronquica.com.br/paciente, é no mínimo curioso mencionar que o número de atletas de alto nível portador de asma que participou dos Jogos Olímpicos de 1988 e de 1996 teve um incremento significativo. Isso foi constatado nas delegações dos Estados Unidos, que em Seul levou 67 entre 597 atletas a disputar os jogos, ou seja,11,2%; nos Jogos de Atlanta, 1996, foram 699 atletas, dos quais 107 eram portadores de asma, ou seja, 15,3% do total. Esses dados indicam a real possibilidade da prática de atividades físicas por pessoas asmáticas. Importante ressaltar que vários atletas portadores da doença obtiveram medalhas, o que reforça cada vez mais a possibilidade dessas práticas.

Na literatura, encontra-se com certa freqüência questionamento em torno de qual ou quais atividades físicas são mais indicadas ou contra-indicadas para os asmáticos. A maioria dos estudos recomenda atividades físicas praticadas no meio aquático. Com base no mesmo site supracitado, os esportes que mais contribuem para desencadear o BIE são a maratona de esqui, o montain bike, a patinação no gelo e o ciclismo. Por outro lado, vários outros são indicados: ginástica rítmica, caminhada, tênis, golfe, vôlei, caratê, pólo aquático, natação e halterofilismo.

Para se ter uma idéia da importância que é designada à atividade física em crianças portadoras de asma, já estão agendados os IV Jogos Desportivos Internacionais para Crianças com Asma, que ocorrerão em julho de 2006, em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Finalmente, no capítulo 10 de seu livro, Nieman (1999), apesar de afirmar que a atividade física é responsável por mais de 60% pelo desencadeamento das crises asmáticas (AIE) em adultos e que esse índice eleva-se acima de 80% em crianças, afirma que a maioria dos pacientes asmáticos pode participar de todas as atividades físicas, incluindo, entre outras atividades, a corrida. Para ele, ao contrário de outros desencadeadores das crises, a atividade física não deve ser evitada. O autor lembra também que a AIE poderá acontecer durante ou após o exercício. Concluindo, Nieman apresenta, além do uso de medicamentos antes das atividade físicas, as modificações no programa de atividades físicas, a fim de que não ocorram crises, ou, se acontecerem, sejam de menor intensidade:

a) tempo de aquecimento e relaxamento adequados;

b) tipo de atividade (na água, natação ou corridas intensas, lembra que a segunda facilita a AIE);

c) deve-se controlar a duração dos exercícios;

d) intensidade do exercício deve ser apropriada com o grau de gravidade do praticante;

e) a respiração deverá ser nasal; f) em caso de temperatura baixa, usar cachecol ou máscara de proteção;

f) Monitorar o meio ambiente, evitando agentes alérgicos, como a poeira ou a fumaça.

Fonte


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