12 dicas para diabéticos praticarem esportes sem riscos







Dados recentes da Federação Internacional de Diabetes (FID) revelam que o Brasil ocupa o 5º lugar na lista de nações com o maior número de portadores de diabetes – são cerca de 7,6 milhões.

O avanço mundial em proporções da epidemia da doença também está consolidado, indo de 135 milhões em 1995 para os atuais 285 milhões de habitantes.

Segundo projeções da entidade, os números só irão aumentar: em 20 anos, o número de adultos com a doença (entre 20 e 79 anos) deve crescer 67%. Se essas pessoas limitassem suas vidas e se entregassem ao sedentarismo por conta do diabetes, o resultado seria a soma de outras tantas doenças e complicações.

Por isso, além de uma dieta adequada ao perfil do diabético, a prática de atividade física é altamente recomendada. Com alguns cuidados simples, é possível controlar a doença, entrar em forma e até conseguir alto desempenho no esporte.

A seguir, especialistas em atividades físicas e diabetes dão importantes dicas para a prática esportiva saudável.

1. Antes de começar um treinamento regular, a recomendação oficial é de que o diabético seja submetido a um teste de esforço (teste ergométrico), caso tenha mais de 35 anos ou mais de 10 anos com a doença. "Além disso, vale fazer um rastreamento para detectar a presença de complicações (exame oftalmológico, função renal, por exemplo). Esse procedimento é importante no caso de diabetes tipo 2 recém diagnosticado, pois muitas vezes a pessoa não sabe há quanto tempo tem a doença e pode já ter alguma complicação instalada", explica Sonia de Castilho, educadora física, personal trainer, educadora em diabetes e coordenadora de atividades desportivas da ADJ Diabetes Brasil.

2. Segundo a especialista, antes de iniciar os exercícios propriamente ditos, o principal cuidado é medir a glicemia, especialmente para evitar risco de hipoglicemia (baixa dos níveis de glicose na corrente sanguínea), um cuidado mais importante para quem faz uso de insulina. Se antes da atividade física a glicemia for igual ou menor do que 100 mg/dl, a recomendação é ingerir algum tipo de alimento com carboidrato.

"No caso de hiperglicemia (acima de 250 mg/dl), se o indivíduo estiver se sentindo bem pode seguir com o treino, evitando atividades muito intensas. O ideal também é, nesse caso, fazer nova medição de ponta de dedo em 15 ou 20 minutos para verificar o comportamento da glicemia durante o exercício", diz Sonia.

3. Utilizar calçados e meias confortáveis para evitar lesões na pele dos pés – diabéticos têm mais probabilidade de sofrer problemas nessa região. Lubrificar os dedos com cremes para evitar atrito e bolhas também é uma medida recomendável. Veja aqui como escolher o tênis mais seguro.

4. Alongar antes do treino é ainda mais importante para quem tem diabetes. O diabético, especialmente se não tiver um bom controle glicêmico, tende a ter maior rigidez articular.

5. "Da mesma forma que o corredor tem cronômetro, frequencímetro e GPS; o pára-quedista e o mergulhador têm altímetro e o ciclista tem odômetro; o praticante de atividade física diabético deve ter o monitor de glicemia como parceiro inseparável. Quanto mais vezes ele fizer o monitoramento, mais estável manterá a taxa de glicemia", diz Emerson Bisan, personal trainer da Reebok Sports Club e diretor da Nova Equipe Assessoria Esportiva – ele é diabético há 15 anos, tem 48 maratonas completadas, além de várias ultramaratonas.

6. Pode ser necessário medir a glicemia durante e depois do exercício, especialmente em atividades longas ou pouco usuais (quando diferem do habitual, seja em duração, intensidade ou tipo). "Essa atitude, além de reduzir o risco de hipoglicemia, traz mais autoconhecimento, permitindo segurança e controle na prática dos exercícios", diz Sonia de Castilho.

7. A hidratação não pode ser negligenciada por quem pratica atividade física. Para quem tem diabetes é ainda mais essencial, já que a doença traz, potencialmente, um estado de pouca hidratação (um dos mecanismos fisiológicos para manter a glicemia é eliminar a glicose em excesso pela urina e essa regulação constante rouba água dos tecidos). "Recomendo beber 200ml a 300ml de água a cada 15 ou 20 minutos e prestar atenção ao consumo bebidas isotônicas, que muitas vezes têm outras formas de açúcar", diz Bisan.

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8. "Sempre que for praticar atividade física, é bom levar algum doce de absorção rápida. Ele serve para que, em casos de emergência ou dúvida, se evite um quadro de hipoglicemia severa", diz Alexei Caio, consultor da associação Diabetes & Desportes, diabético, montanhista, maratonista e ultramaratonista. "Carregar sempre alguma fonte de carboidrato simples. Existem sachês de açúcar líquido, mas também pode ser uma bala de goma ou de mel. Não vale chocolate nem bolacha recheada, que têm muita gordura. Isso retarda a absorção da glicose e, portanto, não corrige a hipoglicemia rapidamente", explica Sonia de Castilho.

9. Outra dica é ter atenção com o local da aplicação da insulina. "O trabalho muscular sobre o local da aplicação pode potencializar a ação e deixá-la diferente do normal", informa Bisan.

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10. "Ao sair para a atividade física, é prudente levar junto uma carteirinha de identificação de portador de diabetes, contatos e telefones para eventuais emergências", sugere Caio.

11. Fazer registros de medidas glicêmicas, alimentação pré, pós e durante os exercícios, quantidade de medicamento, peso, temperatura, entre outras informações é outra boa aposta. "Tudo isso, levado ao médico, à nutricionista e ao treinador, pode aperfeiçoar o tratamento e o treinamento", diz Bisan.

12. Por fim, envolver a família e os amigos no tratamento e nas atividades diárias é uma ótima maneira de compartilhar saúde. "O compartilhamento aumenta a compreensão da doença e traz hábitos saudáveis para toda a família", finaliza Bisan.


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