Exercícios físicos - Benefícios após um ataque cardíaco







O infarto do miocárdio (IM) ou infarto agudo do miocárdio, conhecido popularmente como ataque cardíaco, é uma emergência médica em que parte  do fluxo de sangue para o coração sofre uma interrupção súbita e intensa, produzindo a morte das células  do músculo cardíaco (miocárdio).A principal causa do IM é a formação de um coágulo (trombo), a partir de uma placa de gordura (ateroma) localizada na parede da artéria do coração (coronária).

O sedentarismo é um fator de risco significativo para um evento coronariano, como o IM, angina do peito ou morte súbita, e ainda, para novos eventos após um primeiro IM, sendo responsável direto pelo mal condicionamento físico, redução do consumo de oxigênio do coração, diminuição da capacidade muscular, aumento do peso corporal, elevação dos níveis de triglicerídeos e redução do HDL-colesterol ("colesterol bom"), além de diminuir a autoestima.

A maioria dos fatores de risco é favoravelmente modificada pelo exercício físico. A hipertrigliceridemia  e a hiperglicemia, elevação dos triglicerídeos e da glicemia (açúcar no sangue), respectivamente, serão reduzidas, e se a ingestão calórica for mantida, haverá redução de peso nos obesos. A resistência das artérias ao fluxo de sangue diminui, com a consequente redução da pressão arterial nos hipertensos.

Há diminuição do tônus simpático (acarretando uma menor liberação de adrenalina) e da tensão emocional, a atividade fibrinolítica aumenta (capacidade do organismo em dissolver coágulos sanguíneos), e a agregação plaquetária diminui, com uma consequente diminuição do risco de formação futura de coágulos (trombos).

A atividade física aumenta a sensibilidade à insulina (hormônio que permite a entrada do açúcar para o interior das células) e reduz o risco de desenvolver diabetes melito.

A prática de exercícios promove ainda a elevação do HDL-colesterol. O combate ao sedentarismo deve contemplar programas individuais ou coletivos de incentivo à atividade física no cotidiano das pessoas, como caminhar para o trabalho, subir ou descer escadas, utilizar bicicleta como transporte para a escola ou o trabalho, saltar da condução dois pontos antes de casa, fazer trabalhos manuais, jardinagem, pinturas, consertos etc.

Sessões de exercícios regulares de 30 a 40 minutos, 5 a 6 vezes por semana, são recomendadas em academias ou substituídas por caminhadas no plano, procurando alcançar a marca de 100 metros por minuto, sempre sob recomendação médica. A prescrição de exercícios mais vigorosos, como correr, natação, ginástica aeróbica ou prática de esportes individuais ou coletivos, deverá ser precedida pela realização de um teste de esforço.

A prática regular de exercícios físicos vigorosos em pacientes após IM demonstrou redução significativa do risco de morte cardiovascular e da mortalidade global. Uma análise de 10 estudos clínicos em pacientes após IM em programas de reabilitação cardíaca demonstrou redução de 24% na mortalidade global e de 25% na mortalidade cardiovascular. A recorrência de IM não fatal não foi afetada.

O treinamento físico produz melhora modesta nas gorduras circulantes no sangue. Uma análise de 95 estudos concluiu que o exercício levou à redução de 6,3% do colesterol total, de 10,1% do LDL-colesterol (colesterol "ruim") e um aumento de 5% do HDL-colesterol. Registra-se, no entanto, redução da prevalência de um tipo específico de LDL-colesterol (formado por partículas pequenas e densas, as quais são mais perigosas), talvez resultando daí seu maior benefício no que tange as gorduras circulantes no sangue.

Fonte: IV Diretriz Brasileira sobre Tratamento do Infarto Agudo do Miocárdio.

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