Massagem não ajuda descanso após exercícios








Depois de pegar pesado na academia, nada melhor que receber uma relaxante massagem. Dá até vontade de dormir, enquanto os músculos cansados se recuperam do desgaste físico. Um recente estudo canadense, no entanto, contesta a eficácia do procedimento para este fim.

O pesquisador Michael Tschakovsky, da Universidade de Queen, em Kingston, realizou uma pesquisa para verificar a relação entre massagem e recuperação do tecido muscular.

Especialista em irrigação sanguínea muscular, Tschakovsky explica em seu estudo que o músculo precisa de sangue para receber nutrientes e se recuperar mais rapidamente. Além disso, o sangue favorece a eliminação do ácido lático, substância associada à fadiga muscular e uma das responsáveis por deixar o músculo dolorido depois da malhação.

Foto: Thinkstock/Getty Images

Eficiente ou não na recuperação muscular, a massagem ajuda a relaxar

Em seu estudo, o pesquisador canadense selecionou 12 jovens saudáveis e do sexo masculino. Os voluntários tiveram de passar dois minutos apertando uma espécie de alicate, próprio para exercitar o antebraço. O movimento era ininterrupto e feito com 40% da força máxima dos jovens.

Ao término da atividade, os voluntários estavam com o coração acelerado e chacoalhando os braços, em sinal de fadiga. O nível de ácido lático, mensurado por um cateter, também estava bem mais alto.

O grupo foi dividido em três subgrupos. O primeiro simplesmente descansou por 10 minutos, na chamada recuperação passiva. O segundo passou o mesmo período realizando exercícios leves. Eles apertavam o alicate de forma intermitente, com apenas 10% de suas forças. Por fim, o último grupo desfrutou de uma relaxante massagem. Um massagista esportivo certificado foi escalado para o serviço.

Nos voluntários massageados, o resultado foi justamente o oposto do esperado. Eles registraram a menor irrigação sanguínea entre todos os grupos. A massagem diminuía momentaneamente a alimentação do músculo exercitado. Embora ela fosse recuperada no instante seguinte, o balanço após 10 minutos não foi nada animador.

O fluxo sanguíneo do antebraço foi mensurado por ultra-som, enquanto a concentração de ácido lático era monitorada por amostras de sangue.

O grupo da recuperação ativa, que fez exercícios leves, teve um resultado bem melhor. Mesmo assim, o pesquisador constatou que a contração muscular, embora leve, também comprimia os vasos sanguíneos do músculo, prejudicando sua irrigação. O melhor resultado foi obtido pelo grupo da recuperação passiva.

"A massagem impede a remoção do ácido lático dos músculos exercitados", afirmou o pesquisador, em seu estudo. O trabalho foi publicado na "Medicine and Science in Sports & Exercise."


Fibras brancas e fibras vermelhas

Os exercícios de baixa intensidade são bem vistos como alternativa de recuperação por Jomar Souza, diretor da SBME (Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte). "A atividade leve melhora a circulação sanguínea e ajuda na eliminação de ácido lático", afirma. O médico comenta que essa forma de recuperação é bastante utilizada em atividades como futebol. "Muito jogadores fazem hidroginástica depois do treino", comenta.

Futebol é um exercício chamado de aeróbico, diferente do exercício usado no experimento canadense. É neste ponto que contesta Alexandre Cavalieri, coordenador da faculdade de Fisioterapia da Umesp (Universidade Metodista de São Paulo).

Exercícios de academia, como o levantamento de pesos, são anaeróbicos. Eles agem sobre as fibras brancas, que possuem um metabolismo próprio. "Elas não se beneficiam tanto com a irrigação sanguínea", comenta o fisioterapeuta. Logo, a massagem tem pouco impacto.

Já exercícios aeróbicos ativam fibras vermelhas, que precisam mais de irrigação sanguínea. "Neste caso, a massagem vai ajudar na recuperação", garante. Mesmo assim, o fisioterapeuta reconhece que existem estudos conflitantes sobre o assunto. "Isso acontece porque a fisioterapia ainda é uma ciência nova", avalia.

Uma contraindicação unânime entre os especialistas é para o caso de lesão muscular. "Se isso acontecer, a massagem pode piorar a situação", alerta Cavalieri. Mas e nos demais casos, fazer ou não fazer a massagem? Apesar das teses conflitantes, nenhuma delas sugere evitar a massagem sob risco de danos sérios à saúde. O máximo que pode acontecer é uma recuperação mais demorada.


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