A influência da preparação física sobre a composição corporal de atletas








Todo profissional que trabalha na área da preparação física, nas mais diferentes modalidades e realidades de grupos, desde pessoas sedentárias até atletas de alto nível, pode e, acredito, deve dominar e adotar como parâmetro a ciência da cineantropometria com fins de coletar, avaliar, planificar e controlar as variáveis físicas e antropométricas de seus alunos ou atletas.

Neste artigo, tenho o interesse de divulgar, de modo resumido, um trabalho desenvolvido no Sport Club ULBRA, no ano de 2001, cujo objetivo geral foi de identificar a influência da preparação física sobre a composição corporal de atletas juvenis de futsal, isto em quatro meses, de avaliações das dobras cutâneas, enquanto que o escopo específico, é o de que ao final do período básico de treinamento, estes atletas tenham atingido o percentual de 12% de gordura, com paralelo aumento de massa corporal magra, conforme referências de estudos anteriores.

Na literatura esportiva, podemos encontrar diversas manifestações de interesse no estudo antropométrico que relacionam, com freqüência, determinadas características morfológicas ao rendimento desportivo. Isto leva a crer que o controle das variáveis físicas e corporais são partes importante dentro da planificação e segmento do treinamento físico, quer seja individual ou coletivamente em uma equipe.

O trabalho foi iniciado em 19 de fevereiro de 2001, num grupo de dezoito atletas juvenis (17, 18 e 19 anos de idade). Nesta data ocorreu a primeira coleta de dados. Foi adotado o método indireto, através do protocolo de Faulkner, a partir das mensurações simples das dobras cutâneas do tríceps, subescapular, crista ilíaca e abdominal. Também, foram registrados os diâmetros ósseos, a estatura e o peso corporal.

Todos estes dados foram lançados e analisados em um programa criado no Excel. Esta coleta inicial teve como principais objetivos: traçar um perfil da equipe, apesar de doze atletas já serem conhecidos, isto é, terem todos os dados registrados na temporada anterior, pois se faziam presentes naquela equipe. Porém havia, ainda, a necessidade de se planificar de maneira individual, ou em pequenos grupos, as futuras sessões de treinos de todos atletas.

Estas coletas de dados das dobras cutâneas seguiram durante quatro meses, fevereiro, março, abril e maio de 2001. A adoção do estudo antropométrico foi um excelente recurso, aliado a outros, na elaboração dos objetivos dos treinos, com a vantagem de ser um dos referenciais dos resultados obtidos ao longo do treinamento físico, isto porque após cada avaliação os resultados eram divulgados de modo ilustrativo em murais a partir de gráficos bem visíveis entre estes atletas, o que passou a ser mais um estímulo a dedicação nos trabalhos de preparação física.

Passou a acontecer, então, uma competição sadia entre os jogadores, fazendo com o que estes procurassem fazer uma alimentação mais balanceada e, ainda, houvesse uma redução ou suspensão de ingesta de refrigerantes, batata fritas, guloseimas e doces desnecessários.

Decorridas quatro avaliações, os resultados obtidos foram altamente significativos. Ou seja, após três meses de treinamento físico (os treinos técnicos estão juntos) que aconteceram diariamente, variando de duas até duas horas e meia, de segundas as sextas-feiras e, às vezes aos sábados, todos os atletas que participaram assiduamente das atividades programadas conseguiram atingir o objetivo de 12% de gordura e aumentando simultaneamente o índice de massa muscular magra. Entretanto, aqueles atletas que por problema de lesão ou que não conseguiram seguir o cronograma de treinos por outros motivos não conseguiram, neste espaço de tempo, atingir estes escopos. Mas, estes conseguiram chegar aos índices após retomar a rotina de treinos.

É importante que fique claro que estes objetivos traçados - 12% de gordura com concomitante aumento da massa muscular magra ? em nenhum momento foi almejado sem que acontecesse desrespeito ao Princípio da Individualidade Biológica.

Nenhum atleta foi pressionado ou submetido a treinos extras, tentando atingir os resultados. Isto porque, acredito seria um equívo, até porque, deve-se lembrar que estes atletas são da categoria juvenil, com idades variando dos 17 aos 19 anos, isto os caracteriza como seres em pleno desenvolvimento fisiológico e anatômico (sistema esquelético, neuromuscular...).

Portanto, ao encerrar este texto, percebe-se que, a preparação física provoca alterações na composição corporal daqueles atletas que seguem o cronograma de treinamentos e, fica nítido, que a adoção dos estudos da cineantropometria é um excelente meio de avaliar, planificar e controlar as variáveis físicas e antropométricas dos atletas.

Todavia, não devemos esquecer da individualidade biológica, isto é, se por ventura algum ou alguns integrantes não conseguir ou conseguirem atingir os objetivos traçados, devemos saber interpretar e lidar com estas diferenças, respeitando-os e criando outros meios de facilitar a execução dos execícios e etapas do treinamento.

Autor: Prof.Carlos Tenroller CREF2/RS 238


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