CRIANÇAS E EXERCÍCIOS FÍSICOS EM AMBIENTE QUENTE







Devido às suas características fisiológicas, as crianças atletas têm um risco maior que os adultos de apresentar as doenças provocadas pelo calor quando se exercitam em ambientes quentes e úmidos. Os pais devem conhecer essas características e implicações para a saúde e prática esportiva. Além disso, devem tomar medidas para prevenir a desidratação e os problemas de saúde provocados pelo calor em crianças que se exercitam em ambiente quente e úmido.

O processo de regulação da temperatura corporal

Os processos metabólicos do corpo humano produzem calor. O bom funcionamento do corpo depende da manutenção constante da temperatura; o interior do corpo se mantém a uma temperatura média de 37° C e funciona adequadamente em uma faixa de variação muito limitada da temperatura. Se os limites inferiores e superiores forem ultrapassados (33-41°C), pode ocorrer a morte. O calor metabólico que se acumula no interior do organismo durante o exercício deve ser transferido para a pele, para ser dissipado ao meio ambiente. A dissipação de calor através da pele ocorre por diversas vias existentes para prevenir que haja acúmulo excessivo do calor produzido. Quando a temperatura ambiental excede a da pele, a evaporação do suor é o único mecanismo pelo qual o corpo consegue perder calor. Se a perda de líquidos não for reposta por meio da ingestão adequada de líquidos durante o exercício, pode haver a instalação da desidratação ou a perda excessiva de líquidos corporais.

Características apresentadas pelas crianças que faz com que haja interferência com a regulação de sua temperatura

A razão entre a área de superfície e as massas corporais é maior nas crianças, o que faz com que sua temperatura corporal aumente mais rapidamente que nos adultos em ambientes muito quentes. Além disso, as crianças produzem mais calor referente a sua massa corporal tanto no período de descanso quanto durante o exercício, e suam menos que os adultos. Essas características aumentam a possibilidade de que possam apresentar distúrbios térmicos quando se exercitam em ambientes quentes e úmidos.

Hidratação e Regulação da Temperatura em Ambiente Quente e Úmido

Uma desidratação progressiva pode fazer com que uma quantidade excessiva de calor se acumule no organismo. A desidratação promove aumentos na temperatura interna devido à redução do volume de sangue na pele e da quantidade de suor. Como mostrado pelo Dr. Oded Bar-Or e col., em estudos realizados no Canadá, esse efeito pode ser mais negativo para crianças que para adultos. Esses pesquisadores observaram que para cada 1% de perda de peso corporal, a temperatura interna aumentou mais nas crianças que nos adultos. Isso pode ser explicado, parcialmente, por causa do menor grau de sudorese das crianças. Alguns sintomas que podem ser apresentados por uma criança que sofre de desidratação ou de problemas na regulação da temperatura corporal são: tonturas, dor de cabeça, sede excessiva, pele muito avermelhada, náuseas e cansaço.

Muitos jovens que praticam esportes como luta, judo, boxe e tae kwon do perdem de 3 a 5% de seu peso para poder atingir o peso da categoria de competição. Esses atletas sofrerão muito com essa prática em ambientes quentes. Em dias quentes e úmidos, é importante que o atleta se mantenha bem-hidratado antes, durante e depois do exercício.

Estudos em Porto Rico, em Ambiente Natural

Em Porto Rico, são realizadas diversas pesquisas científicas em ambiente natural para estudar o padrão de hidratação de crianças e jovens e sua relação com a regulação da temperatura corporal em ambiente quente e úmido.

Os resultados desses estudos indicam que:

  • Crianças não repõem todo o líquido perdido no suor e observa-se uma leve desidratação quando se oferece água como líquido para promover a hidratação e não há estímulos para que bebam durante o exercício em ambiente quente.
  • As bebidas aromatizadas, contendo carboidratos e sódio ajudam a aumentar a ingestão de líquidos de crianças para que se mantenham melhor hidratadas.
  • A desidratação pode ocorrer durante a prática de um esporte como a natação.
  • Jogadores de futebol que ingerem mais líquidos que a quantidade que costumam precisar durante a semana antes de uma partida conseguem aumentar as reservas de água no corpo e melhorar a regulação da temperatura corporal durante uma partida em ambiente quente.
  • Um bom nível de condicionamento físico e de adaptação ao calor oferece uma proteção às crianças que se exercitam em ambiente quente e úmido.

Prevenção dos Problemas Provocados pelo Calor

Além das situações de calor extremo, treinadores devem dar atenção especial à prevenção de problemas de saúde provocados pelo calor em crianças atletas. Devem-se estimular as crianças a ingerir líquidos antes, durante e depois da competição ou do treino, mesmo na ausência da sede. Os líquidos devem ser aromatizados e servidos frios. Pesquisas recentes indicam que as bebidas com carboidratos e eletrólitos ajudam a prevenir a desidratação nas crianças que se exercitam. Bom condicionamento físico e adaptação ao calor, realização do período de aquecimento na sombra e descansos freqüentes também protegem esses crianças.

Recomendações para a hidratação de crianças durante a prática de atividade física

Antes da Atividade Física - Uma hora antes da atividade física, as crianças com menos de 41 Kg de peso devem tomar 90 - 180 mL de líquidos, enquanto aquelas com mais de 41 Kg devem tomar 180 - 360 mL.

Durante a Atividade Física - A cada 20 minutos, as crianças com menos de 41 Kg devem tomar 80 - 180 mL de líquidos e aquelas com mais de 41 Kg devem tomar 180 - 270 mL.

Depois da Atividade - De modo geral, as crianças com peso corporal menor que 41 Kg podem tomar até 200 mL a cada 200 g de peso perdido, enquanto aquelas com mais de 41 Kg podem precisar de 300 mL a cada 200 g de peso perdido. Essa reposição de líquidos deve ser feita nas primeiras 2 a 3 horas depois da atividade.

Anita Rivera Brown, M.S., é diretora da Unidade de Fisiologia do Exercício no Centro de Saúde Esportiva e Ciências do Exercício do Albergue Olímpico em Salinas, Porto Rico. Seu trabalho inclui assessorar os treinadores das seleções nacionais. Também é integrante da BASE para América Latina.


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