Pubeite







Pubeite

Esta lesão é praticamente restrita a esportistas, sendo rara a sua ocorrência em pessoas que não praticam esportes. Ela se caracteriza pelo desgaste da sínfise púbica, pequena articulação que fica localizada na região anterior (na frente) da bacia (veja na figura ao lado a localização). Esta lesão costuma acontecer em atletas de futebol e em corredores, e geralmente decorre do desequilíbrio muscular que ocorre não só na bacia como em todo membro inferior. Em atletas de tênis a lesão é pouco frequente, porém recentemente tratei de dois tenistas juvenis com este problema.

Inicialmente a lesão se manifesta por dor na região afetada, e nesta fase a lesão é classificada como uma pubalgia (que pode ser traduzida por dor no pubis). Neste momento a lesão pode ser confundida com duas doenças que devem sempre ser excluídas: a hérnia inguinal (ou abdominal) e a lesão muscular do adutor (virilha). Nestas duas patologias a dor pode se manifestar da mesma maneira, e não é tão difícil ser feito um ou outro diagnóstico de maneira equivocada. Por isso é que a avaliação cuidadosa é necessária nesta fase. Posteriormente, o desequilíbrio muscular continua e começam a ser observadas degenerações (desgastes ósseos e cartilaginosos) nesta articulação, que podem ser vistas em uma radiografia simples.

Como já citado, devem ser excluídas as hérnias como causa da dor abdominal. Sempre deve ser feita uma avaliação por um cirurgião gástrico especializado, pois até 50% dos atletas com pubeíte podem apresentar algum tipo de hérnia, mesmo que esta seja de característica sub-clínica (ou seja, não está causando sintomas significativos). Outro dado que deve ser excluído é a lesão muscular abdominal, também rara em atletas, que pode confundir com os dois diagnósticos anteriores (hérnia abdominal e pubeíte).

Sempre que possível, exames complementares devem ser solicitados, para se esclarecer o diagnóstico. O RX simples demonstra muito bem a lesão na fase crônica. A ressonância magnética demonstra bem a cartilagem, e até mesmo a tomografia pode trazer dados muito fieis com relação a lesão específica.

O tratamento inicial é sempre clínico, através do afastamento do esporte por um período de 2 a 4 semanas em média, que pode ser mais prolongado (depende da fase da doença), uso de anti-inflamatórios não hormonais e tratamento fisioterápico. A fisioterapia visa o reequilíbrio da musculatura ao redor da sínfise púbica, e na página ao lado vocês terão a explicação deste método de tratamento.

Quando a fisioterapia e o tratamento médico não dão resultado por um período de 3 a 4 meses a cirurgia está indicada, e o que se faz é uma raspagem da sínfise púbica. Além disto, você aproveita o mesmo ato cirúrgico para observar se existe algum músculo muito tenso (geralmente o reto abdominal ou adutor), e você faz uma pequena liberação para diminuir a tensão no local, visando o melhor equilíbrio da bacia. O retorno ao esporte se dá (em média) por volta do 4o mês após a cirurgia.

Como você vê, as lesões no tênis nem sempre são aquelas facilmente conhecidas e facilmente tratáveis. Por isso lembre-se que esta lesão existe e que pode ocorrer, e inicialmente pode ser só uma suspeita de lesão muscular.

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