Para atuar no futebol...








Para atuar no futebol...
O preparador físico e fisiologista do Sport Club Rio Grande, Taimar Marinho, falou em entrevista quais as condições ideais para um atleta atuar no futebol atual.

Reportagem - Para que um jogador seja contratado por um clube, cientificamente, o que é a condição ideal?
Taimar Marinho - Cientificamente, ele deve ter referências, últimas atuações etc. No aspecto físico, deve ter um percentual de gordura abaixo de 15%, para resistir aos treinos e passar por uma avaliação ortopédica nas principais articulações para afastar ou minimizar risco de lesões.

Rep - E a condição ideal para um atleta jogar?
Taimar - Deve estar com um percentual de gordura abaixo de 12%, sendo que acima de 30 anos se tem uma tolerância maior; o percentual de massa muscular deve ser em torno de 50% do peso corporal. A capacidade de consumo de oxigênio ideal é de 50 a 60% do VO2 máximo.

Rep - Qual o tempo necessário, em média, de preparo para que um atleta chegue à condição ideal?
Taimar - Depende da condição inicial, como ele chegou. Já recebi casos de cirurgias recentes e, com um bom trabalho, o atleta entrou em campo muito rápido, pois depende também da individualidade biológica, do perfil do grupo, etc..
Também já recebi atletas que passaram um ano só fazendo o trabalho de reabilitação em conjunto com o fisioterapeuta e a grande vitória foi vê-lo voltar à atividade profissional (zagueiro Renato), pois ninguém apostava no seu retorno. Há equipes em nível de série A do brasileiro que fazem 10 dias de pré-temporada e é suficiente, pois são atletas que mantêm um lastro fisiológico por terem continuidade na carreira. Depende também quanto tempo o atleta está parado, quantos anos ele tem de treino sistemático e culturalmente como ele se comporta nas férias.

Rep - É possível traçar um panorama de como será o planejamento dentro do estabelecido, no início, meio e na reta final do campeonato? Quais são as diretrizes científicas para manter o trabalho eficiente?
Taimar - É o grande desafio, especialmente no esporte coletivo. Mesmo se tivéssemos a mais avançada tecnologia seria impossível prever, pois um organismo é único e suas reações são únicas e diferentes de cada um. Imagine vários organismos, um grupo heterogêneo, mesmo assim lidamos com médias populacionais e parâmetros de cada esporte que acabam norteando todo o planejamento. Por isso, o preparador físico não pode ser somente um especialista em laboratório ou em leitura de dados, precisa saber "ler" pessoas, mensagens corporais, ter feeling, percepção muito apurada. As diretrizes científicas são norteadas pelo estudo das ciências do treinamento desportivo, que é um conjunto de ciências que dão suporte à nossa profissão (biologia, biomecânica, fisiologia, anatomia, cinesiologia, bioquímica, psicologia e medicina esportiva, nutrição, e muitas outras).

Rep - Há um trabalho fora dos gramados, algo como planificação de dados, avaliação de resultados, exames, alimentação?
Taimar - Sim, são feitos testes físicos periódicos. Eu costumo fazer em cada fase do campeonato, ou quando acho necessário para cada um, avaliação da composição corporal, controle da perda de peso na partida, recomendo a dieta de preferência com a coordenação de nutricionista, se o clube dispõe; senão, utilizo os conhecimentos em nutrição desportiva adquiridos nas pós-graduações na área (não sou substituto do especialista em nutrição).

Rep - O que você pode falar sobre as diferenças que existem entre cada perfil de atleta e no que isso influencia na organização da programação?
Taimar - Isso é muito importante, pois você deve eleger o perfil ideal de atleta para a competição, se fortes, velozes, experientes ou jovens, e também para planificar as cargas de trabalho, que devem ser de acordo com as carências ou objetivos buscados. Somatotipo, se ele é alto e magro, baixo e com percentual de massa muscular alto, que o torna pesado, etc..

Rep - Se existem diferenças... Como funciona a organização de um plano de ação que contemple estas diferenças?
Taimar - Sim, o plano é baseado em primeiro lugar, ao contratar, identificar o perfil do atleta (somatotipo, histórico, perfil sociométrico, histórico). Depois, na chegada, avaliação corporal, avaliação antropométrica e ortopédica. Esse ano fizemos todas elas. Ortopédica, o Dr. Hélio Custódio, que identificou folgas nas articulações e recomendou trabalhos especiais para alguns que, foram encaminhados para o fisioterapeuta Fabiano Minasi. A Clínica Lunav realizou os exames laboratoriais e o Dr. Abibi supervisionou.
O preparador físico planifica o trabalho em cima dessas respostas, assim também como testes de força, potência e índice de fadiga. Se um atleta está com percentual de gordura alto, ele recebe trabalhos para reduzir. Se um está com baixo percentual de massa muscular, recebe trabalhos adicionais de musculação, etc.. Se tem diferenças de espessura de uma perna para outra, recebe atenção para reequilibrar. Se tem diferenças de ângulos de flexão, recebe trabalhos de flexibilidade etc.

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