O treinamento de força no tênis







Por Adriano Vretaros

Força no tênis? Será preciso?, perguntariam os mais céticos em relação ao título do artigo. Iniciei o texto com esses dizeres pelo fato de o conceito de força ainda não se encontrar arraigado no meio do tênis, levantando com isso a algumas especulações e mitos. Entre muitos, o que mais ouço é em relação ao ganho de massa muscular, que tornaria o biotipo do tenista mais para um fisiculturista, podendo prejudicar sua performance em quadra.

Um trabalho de força realizado quer seja na sala de musculação ou na quadra, se bem orientado, não causaria nenhum excessivo ganho de massa muscular e muito menos alteraria drasticamente o biotipo. É preciso frisar que um aumento na força não implica necessariamente em aumento de massa muscular. Por exemplo, vocês já devem ter visto em uma sala de musculação aquele sujeito magro levantando quase o dobro do peso em relação ao colega que possui uma grande massa muscular. Pois é! Isso significa que o sujeito "forte" é o magro e não aquele dotado de massa muscular. Como se explica esse fato? A explicação reside no fato de que o indivíduo magro possui uma capacidade de recrutar um maior número de unidades motoras do seu sistema neuromuscular.

Portanto, neste artigo tentaremos explicar e abordar melhor alguns aspectos ligados à força na preparação física dos tenistas.

Os tipos de força

A força vista na lei da Física é igual a todo aquele agente capaz de atribuir aceleração a um corpo. Já a força empregada na ação humana esportiva relaciona-se a uma atividade do sistema nervoso central, que permite nosso aparelho locomotor a reagir aos estímulos externos mediante a utilização da tensão muscular.

A qualidade da força que é utilizada na preparação física dos jogadores de tênis é muito diferente do que se emprega em fisiculturistas. O trabalho de preparação de força no tênis visa aprimorar o recrutamento neural do músculo, como também suas propriedades elásticas, permitindo com isso uma melhor reação do músculo às forças de ação contrária.

Segundo especialistas russos na área de treinamento de força, a mesma é subdividida em: resistência de força, força máxima, força explosiva, força rápida, força de impacto, força de tração, entre muitas.

No jogo de tênis, a força manifesta-se na forma de resistência de força rápida, força explosiva e força máxima. Porém, no aspecto metodológico não bastaria apenas isso. É preciso criar condições para que estas manifestações da força possam ser transferidas para o movimento esportivo da modalidade. Para tanto, existe uma seqüência pedagógica de evolução do trabalho de força que pode ser empregado no tênis.

Resistência muscular localizada

O primeiro trabalho de força a ser desenvolvido é o da resistência muscular localizada, que objetiva criar condições nas estruturas musculares para permitir que o corpo do jogador suporte ações de longa duração e prevenir futuras lesões.

Normalmente, esse tipo de trabalho pode ser feito na sala de musculação ou em um sistema de circuito, utilizando-se de quase toda a cadeia muscular agonista e antagonista, através de exercícios contendo muitas repetições e cargas baixas. Tais exercícios contribuem para reforçar os músculos que poderiam estar mais débeis e adequar grande parte da musculatura geral.

A resistência muscular localizada propicia uma adaptação anatômica primária nas estruturas musculares para o trabalho de força que virá posteriormente. É muito utilizada na pré-temporada.

Força máxima

O segundo tipo de trabalho de força tem como premissa o fato de que somente com esforço máximo é que se pode adicionar cargas mais intensas. Vale ressaltar que este tipo de treinamento não se aplica para os atletas iniciantes. O treinamento de força máxima só pode ser iniciado em adolescentes após os 14 anos de idade sob a orientação de um especialista.

O desenvolver da força máxima permitirá ao tenista transferir a força solicitada nos treinos em picos de aumento na potência. Devido às cargas serem muito próximas ao esforço máximo (85-95%), acabam ocasionando uma grande descarga de ativação neuromuscular que permite melhorar a coordenação intra e intermuscular.

Resistência de força rápida

Uma particularidade muito importante do jogo de tênis é que durante uma partida de profissionais são executadas uma média de 800-900 batidas (dependendo do tempo de duração do jogo). Esse fato, por si só, justifica o treino da valência resistência de força rápida, que permitiria ao jogador executar as batidas por um longo período de tempo (resistência), sem perder a velocidade de execução da sua ação motora (força rápida).

Este tipo de trabalho pode ser efetuado na quadra através do uso de exercícios com a medicine-ball. Também, pode-se utilizar de raquetes adaptadas em um jogo-treino simulado.

Força explosiva

O saque que se converte em um ace denota a presença de uma grande força explosiva do tenista. A realização de um topspin implica no emprego da força explosiva.

O treino de força explosiva requer tempo e cuidados especiais. A questão tempo é no sentido de que os períodos de recuperação dos exercícios em uma sessão de treinamento da força explosiva devem ser totais e quase nunca parciais. Já os cuidados especiais referem-se ao grande risco de lesões, se por ventura o trabalho não for bem conduzido ou a estrutura física do jogador estiver deficiente.

No tenista, a força explosiva não deve ser limitada aos trabalhos nos membros superiores (braços), pois os membros inferiores (pernas) requerem o uso da força explosiva. Isso acontece principalmente nos jogadores que realizam constantes subidas à rede, como os de saque-voleio.

Enfim, o trabalho de força no tênis torna o jogador apto a reagir a golpes potentes, assim como proporciona uma melhora no seu potencial de ação motora. Somando-se a isto, pesquisas constatam que um trabalho de força desenvolvido ao longo da temporada serve como um elemento preventivo contra eventuais lesões.


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