Principais Lesões Decorrentes da Prática Do Handebol







BIOMECÂNICA
O handebol é um esporte rápido, explosivo e de contato, cujos movimentos não são contínuos, cíclicos ou repetitivos.

O atleta deve subir o mais alto possível, mantendo equilíbrio e estabilidade, lançar longe ou próximo com força e precisão, modificar formações de ataque e defesa, além de atuar na resistência contra forças disruptivas principalmente dos oponentes. O atleta do handebol não pode somente se concentrar na execução do gesto ou habilidade, pois muitas vezes deve tomar decisões rápidas . Mudanças de movimento pela brusca alteração das condições de jogo, na maioria das vezes proporcionada pelos oponentes, têm como objetivo principal causar a falha do atleta na execução de seu movimento.

Isso exige do indivíduo um maior trabalho proprioceptivo e neuromuscular para atuação harmônica de todos os grupos musculares e articulações.

A compreensão de como as forças operam e a detecção de aspectos que podem ser aprimorados ou corrigidos não é tarefa simples, devendo ser estudada com métodos e critério.

Os gestos ou habilidades devem ser bem estudados para possibilitar uma melhor compreensão da eficiência do movimento e melhora de desempenho, além de permitir a atuação na prevenção e tratamento de muitas das lesões específicas do esporte.
A análise das habilidades e gestos esportivos específicos do esporte pode ser realizada da seguinte maneira: determinar os objetivos do gesto esportivo, observar as características especiais de cada posição bem como seus gestos específicos, estudar desempenhos excelentes dessa habilidade para comparação, dividir o gesto a ser estudado em fases, dividir cada fase em elementos-chave e entender as razões mecânicas de elemento-chave.

FATORES CAUSADORES DE LESÕES NO HANDEBOL
A incidência das lesões estão diretamente relacionadas a fatores relacionados abaixo:

  • Fatores pessoais: idade, sexo, agilidade, coordenação, flexibilidade, composição muscular, lesões pregressas, técnica, personalidade, imprudência e equilíbrio emocional.
  • Fatores da modalidade: capacitação do treinador, contato com oponentes e colegas no esporte coletivo, gesto esportivo específico ou de execução na especialidade, regras, equipamentos e características da competição.
  • Fatores ambientais: tipo de piso e temperatura.

FISIOTERAPIA ESPORTIVA
Hoje, mais do nunca, é necessário para o treinador e o preparador físico reconhecer a parte vital que a fisioterapia desempenha na condução bem sucedida dos programas esportivos. No transcorrer dos últimos anos aumentaram muito o número de estudos sobre fisioterapia esportiva. Como resultado, surgiu na literatura científica conhecimento novo acerca da melhor maneira de reabilitar as equipes atléticas e de aprimorar a aptidão para a saúde.

No esporte de competição existem treinos todos os dias e jogos periodicamente, tendo o atleta pouco tempo para descansar. Esta sobrecarga causa um desgaste muito grande no corpo do atleta, desgaste este repetitivo, causador de dores e lesões de todos os gêneros, o que acaba prejudicando o desempenho do atleta.

O trabalho de fisioterapia esportiva torna-se bastante diferente dos outros, pois tudo tem que muito rápido e funcionalmente mais efetivo, pois o atleta mais do que qualquer outro indivíduo precisará executar todas as funções do seu corpo, músculos, ossos e articulações, no máximo de potência e amplitude para execução perfeita de todos os movimentos.

Dentro da fisioterapia do esporte é também importante a integração do trabalho proprioceptivo com o treinamento do atleta através da reeducação dos atos motores específicos da modalidade. Além disso, o fisioterapeuta através da avaliação clínica e funcional individualizada do atleta, pode colaborar com o treinamento, orientando os indivíduos e respectivos treinadores quanto aos possíveis desequilíbrios musculares presentes e desempenho biomecânico do handebol.

PREVENÇÃO
O aspecto preventivo no tratamento das lesões esportivas reveste-se de muita importância quer se discuta atividade física de alto desempenho quer como mero coadjuvante de outros tipos de tratamento. A necessidade de aumentar a longevidade do atleta, diminuir o tempo de afastamento, evitar o estresse gerado por uma lesão e a diminuição dos custos médicos faz com que os aspectos preventivos devam ser encarados como prioridade cada vez mais pelos profissionais que trabalham com medicina esportiva.

Com a finalidade de atuar preventivamente a fisioterapia precisa redirecionar seu foco de atenção, atualmente centrado nas lesões já instaladas, para situações com potencial risco de lesão para o sistema músculo esquelético. As situações esportivas expõem ao mesmo tempo, sobrecargas posturais, forças excessivas e repetividade. Depois de evidenciados esses riscos podem ser controlados através de projetos de intervenção do fisioterapeuta, voltados para a situação funcional dos indivíduos lesionados, com a finalidade de eliminar ou minimizar estes riscos. Além disso, o fisioterapeuta que trabalha com equipes de alto nível se depara com outros incentivos para tornar seu trabalho mais rápido e intensivo, a pressão, seja ela de treinadores, patrocinadores, diretoria e principalmente dos atletas.

A prevenção das lesões na prática do handebol não é um objetivo fácil de ser realizado e requer aprofundamento no estudo da modalidade, identificação dos fatores etiológicos das lesões para a aplicação das medidas preventivas.

AS LESÕES
Estudos mostraram que a s lesões tem maior  incidência durante o jogo em comparação com o treino, no entanto, o maior número absoluto da maioria das lesões, acontece durante o treinamento, quando há maior tempo de exposição do atleta. Esse fenômeno pode ser explicado pela maior intensidade, disputa e velocidade do jogo em relação ao treino, embora o tempo em que o atleta esta em treinamento seja maior. Observa-se também um maior número de lesões em treinamento de categorias menores, cujos atletas estão em desenvolvimento de melhor técnica, coordenação e força.

MECANISMO DE LESÃO
Dentre as causas diretas de lesão destacam-se o contato com o oponente e o contato com o solo.e na maioria dos casos não houve violação das regras do jogo. O contato com a bola assim como o contato com o oponente e até mesmo com o próprio colega, poderá resultar em lesões traumáticas de todos os segmentos do corpo do atleta, citando-se como exemplo olhos, boca, nariz, genitais, o que não e freqüente, quando o jogo é disputado dentro de um mínimo de qualidade técnica. Já as lesões do aparelho músculoesquelético apresentam maior incidência.

O contato com a bola, que pode atingir altas velocidades, é responsável pela maior parte das lesões no punho, mãos e dedos, demonstrando a importância e a necessidade de se aplicarem as técnicas de passe e recepção além do treinamento adequado da habilidade do bloqueio da bola por parte dos defensores e do goleiro.
No bloqueio da bola, pode-se ter como resultado: entorses de tornozelo (no retorno do salto), lesões capsuloligamentares e tendíneas, sem deixar de lado as fraturas e luxações. Além dessas lesões resultantes de trauma agudo não podemos deixar de salientar as lesões por impacto cumulativo, sendo as mais freqüentes as epicondilites do cotovelo do goleiro resultantes de traumas repetitivos em extensão.

Grande parte das lesões ocorrem durante jogadas ofensivas, 1/3 das quais ocorrem durante o contra-ataque, momento de grande velocidade e força do jogo. Foi observado que quanto mais alto o nível técnico do atleta, maior a gravidade da lesão, provavelmente pela maior intensidade e velocidade do jogo. No entanto, há uma maior quantidade de lesões durante o treino no grupo tecnicamente inferior.

Por ser um esporte de arremesso, onde o braço de arremesso é freqüentemente bloqueado, expondo as articulações dos ombros e dos cotovelos a freqüentes lesões.


COMENTE ESSE POST

Compartilhe no Google +

0 comentários: