Psicologia Desportiva - Pensamento e ação sincronizados








Grandes desempenhos no esporte não são apenas questão de preparo físico - muitas vezes, a psique decide quem ganha e quem perde.


No estádio, reina silêncio absoluto. Os espectadores prendem a respiração à espera do tiro de partida. Na pista, musculosos atletas assumem posição de largada. Agora é para valer. Durante anos, os corredores trabalharam duro, preparando-se para o dia decisivo. Mas, no fim, para ser o primeiro a cruzar a linha de chegada, não só pernas contam.

Desenvolver o próprio potencial em sua plenitude é algo que demanda toda concentração mental. De que adiantam a força muscular adquirida e uma técnica elaborada se, na hora H, os nervos vacilam?

O perigo maior está nos segundos que antecedem a largada, quando a tensão se torna quase literalmente palpável. A mesma excitação que faz tremer os espectadores pode muito bem significar o desastre para os atletas. Mas a mera tentativa de não contrair os músculos aumenta ainda mais a apreensão. Põe suas chances em risco também aquele que se distraiu no instante do tiro ou corre muito relaxado pela raia.

Para que corpo e espírito caminhem na mesma direção, tudo depende do equilíbrio exato. Concentração e relaxamento são ambos necessários, bem como a confiança nas próprias forças. O melhor é que os atletas "desliguem" os pensamentos perturbadores, como se apertassem um botão. E nisso os psicólogos do esporte podem ajudar. Mas quais métodos de treinamento mental se mostraram eficientes? E em que se baseia sua capacidade de melhorar o desempenho?

A psicologia desportiva recebeu grande impulso nos últimos anos. Por um lado, isso se deve ao fato de que, na maioria dos esportes, os atletas de ponta vêm se igualando cada vez mais. Pensamentos e sentimentos tornam-se, então, o fiel da balança - a vitória é decidida na cabeça. Por outro lado, porém, isso se deve ainda ao desaparecimento de preconceitos e do medo do contato. Quase ninguém hoje associa tratamento psicológico à loucura.

Se nos Estados Unidos os profissionais do treinamento mental são comuns desde a década de 70, em países europeus eles vêm se estabelecendo pouco a pouco. Nem todos buscam o auxílio de um psicólogo formado. O ciclista Jan Ulrich, por exemplo, vencedor do prestigiado Tour de France em 1997, recorre à ajuda da fisioterapeuta Birgit Krohme, que não apenas lhe massageia os músculos cansados das pernas mas, quando necessário, também o resgata do abismo da falta de motivação. Para o piloto de Fórmula 1 Michael Schumacher, é seu fisioterapeuta hindu, Balbir Singh, quem faz as vezes de massagista da psique. E trata-se de duas celebridades que sabidamente não se dão nada mal com suas estratégias de corrida.

Outros tentam dar uma ajuda à sorte com pequenos rituais e manias. Tenistas batem a bola exatas três vezes no chão antes de sacar; fundistas colam um emplastro no nariz que supostamente auxilia a respiração. Não há comprovação científica do efeito produzido, mas, se o desempenho condiz com o esperado, ninguém se preocupa com isso.

Seriam os psicólogos desportivos o equivalente moderno das antigas mascotes? Que atuem como placebos é uma possibilidade que não se pode excluir. É possível que o simples fato de disporem de alguém que cuide de seu preparo mental dê asas a alguns atletas. Contudo, o treinamento mental bem-sucedido demanda - como o próprio nome já diz - o exercício ativo e repetido de certas habilidades. Não se trata de um truque de mágica, e sim de métodos testados e ajustados para cada modalidade esportiva e para cada personalidade.

O psicólogo Hans Eberspächer, de Heidelberg, um dos mais conhecidos profissionais da área esportiva na Alemanha, enumera as principais vantagens que o treinamento mental traz. Em primeiro lugar, atua no direcionamento da atenção do atleta; em segundo, na convicção daquilo que ele pode render - o que é chamado de expectativa de capacidade; e, em terceiro, na ativação das reservas do corpo. Em cada um desses campos, o importante é automatizar as habilidades mentais de modo que elas passem a atuar sem a necessidade de qualquer controle consciente. A preparação mental não pode atrapalhar o atleta. "No momento decisivo, a cabeça precisa apoiar, e não perturbar, a ação do corpo", diz Eberspächer. Segundo ele, o objetivo do treinamento mental é sincronizar pensamento e ação.

O psicólogo americano Mihaly Csikszen-tmihalyi cunhou o termo "fluxo" em meados da década de 70. Trata-se de um conceito que designa o estado de absorção total na ação praticada: esquecidos de nós mesmos e sem necessidade de qualquer incentivo externo, sentimos satisfação com o que estamos fazendo, seja um trabalho estimulante, seja um jogo ou apenas o nosso próprio movimento.

Mas como pode o esportista colocar-se nessa "condição ideal de desempenho"? Para não sentir medo do fracasso ou tédio, ele tem de saber o que pode exigir de si mesmo. Deve, então, mergulhar na própria seqüência de movimentos que está desenvolvendo, e pode fazê-lo, por exemplo, dando instruções a si mesmo. O melhor é recorrer a instruções concretas, relacionadas às próprias ações - tais como "erguer o braço, esticar, bater!", em se tratando de um saque numa partida de tênis -, desligando-se das perturbações do entorno.

Há tempos estão comprovados os efeitos que produzem sobre o corpo técnicas mentais como a visualização .Em 1873, o fisiologista inglês William Carpenter observou que a simples percepção ou imaginação de um movimento é capaz de levar os músculos a reagir. Quando, pela televisão, vemos um jogador de futebol em ação, às vezes nós mesmos armamos a perna para um chute a gol. A essa forma de contágio os psicólogos chamam "efeito Carpenter" ou "reação ideomotora". Graças a ele, é possível otimizar a execução de um movimento.

Em tempos mais recentes, pesquisadores estudaram esse fenômeno com o auxílio de imagens do cérebro. Como Stephen Kosslyn, psicólogo da Universidade Harvard, imaginar movimentos desencadeia uma atividade no córtex motor, como se ele fosse ordenar uma ação real. Esse "aprendizado por auto-sugestão", entre outras coisas, acelera a reabilitação de pacientes que sofreram derrame cerebral, na medida em que melhora a circulação do sangue e a oferta de oxigênio na área afetada do cérebro. Também os esportistas podem tirar proveito do poder das imagens mentais, exercitando certos movimentos e ações relevantes.
Durante muito tempo, considerou-se que a técnica da visualização era bastante promissora se, ao praticá-la, o atleta decompusesse mentalmente em suas partes constitutivas o desenrolar do movimento, em geral complexo. Novas pesquisas, porém, demonstram que a concentração em pontos específicos (joelho, braço, mão) às vezes atrapalha a fluidez da coordenação, sobretudo quando o desenrolar do movimento já se mostra muito bem automatizado. Nesse caso, deve-se visua-lizar a meta desejada da ação.

O êxito esportivo baseia-se, portanto, na capacidade de direcionar a própria atenção. Um caso típico é o do atleta que só consegue ser "campeão" nos treinos: acumula grandes desempenhos na preparação para uma competição, mas falha no momento decisivo. Uma conversa motivadora consigo mesmo pode ajudar. A lembrança de êxitos anteriores ou a mente voltada para os supostos pontos fracos do adversário podem afastar pensamentos ou sentimentos inibidores. É o que os especialistas chamam de "psico-regulação interna".

A personalidade do atleta exerce influência determinante sobre o êxito esportivo. O fato de o ucraniano Serguei Bubka - o ex-recordista mundial do salto com vara - ter dominado sua modalidade esportiva como nenhum outro nas décadas de 80 e 90 não se deveu a seu físico espetacular. "Ele corre para o salto como um louco, como se não tivesse medo de nada." Assim explicava o mestre alemão do salto com vara Tim Lobinger a excepcionalidade de Bubka. A corrida para o salto faz tremer as pernas de qualquer um. Mas Bubka não tremia.

Ao lado da coragem, outra forma de auto-superação conta bastante no esporte: a capacidade de suportar sofrimento. Os atletas que têm de vencer grandes distâncias, como maratonistas ou ciclistas, especialmente, precisam ser capazes de forçar o corpo até o limiar da dor, e além dele. Quem não possui o dom - inato em Bubka - de minimizar mentalmente o medo ou a dor pode, em certa medida, desenvolvê-lo. Mas, para tanto, será necessário que se exponha seguidas vezes a situações extremas, até que se tornem rotina. E, para diminuir o correspondente estresse físico e mental, técnicas de relaxamento, como o relaxamento muscular progressivo ou o treinamento autógeno, ajudam.

Saber lidar com o stress e as pressões constitui um importante objetivo do treinamento mental. Esportistas expostos a esse tipo de situação começam a duvidar de si mesmos e perdem o interesse pelo desafio. Quando isso acontece, o clamor por um psicólogo logo se faz ouvir. Mas muitos treinadores e ligas desportivas somente recorrem ao auxílio especializado quando é tarde demais. Uma pesquisa realizada em 2002 na Universidade Johann Wolfgang Goethe, de Frankfurt, mostrou que mais de 60% das intervenções dos psicólogos desportivos visam à superação de crises e problemas agudos. O ideal seria uma orientação psicológica de longo prazo. Somente então seria possível identificar e evitar a tempo os problemas psíquicos manifestados pelos atletas.

Psicólogos desportivos ainda têm de levar em conta a disposição mental de cada um de seus atletas. Uma pessoa extrovertida e impetuosa tem necessidades diferentes de uma introvertida. Isso demanda uma abordagem flexível e diferenciada. De modo geral, porém, esportistas de alto desempenho exibem requisitos já favoráveis, ou não teriam chegado aonde chegaram. Diferentes estudos atestam que, comparados aos "mortais", atletas de ponta são muito inteligentes e têm grande capacidade de concentração. Ficam acima da média também no que se refere à vontade do desempenho. Entretanto, "muitos atletas profissionais apresentam enorme motivação ao desempenhar seu esporte, mas deixam cair a peteca em se tratando da vida pessoal", constata o psicólogo esportivo Jürgen Beckmann, da Universidade de Potsdam. Por isso, ele vê como tarefa de sua profissão evitar a orientação exclusiva para o esporte.
O comportamento de muitos esportistas em competição sugere uma pronunciada consciência de si - basta pensar na aparência estelar dos corredores olímpicos na final dos 100 metros rasos. É certo que isso está relacionado à capacidade de se impor diante do adversário. Mas, em geral, é a expressão de uma crença inabalável em si mesmo. "Para os atletas, é importante, em primeiro lugar, fixar metas elevadas mas alcançáveis, em relação à própria capacidade de desempenho", afirma Beckmann. "Num dado momento, essa fase de automotivação, como é chamada, é substituída pela da vontade em si, quando o que importa é atingir de fato a meta almejada. Nesse estágio, o atleta, confiante, deve pôr de lado toda e qualquer dúvida."

O modelo Muhammad Ali - "Eu sou o maior!" - ajuda, portanto, apenas no alcance concreto da meta; antes disso, porém, quando da fixação da meta, uma avaliação realista sobre si próprio revela-se mais adequada, a fim de evitar a frustração constante.

Conversas motivadoras do atleta consigo mesmo lhe oferecem a importante possibilidade de desmontar dúvidas e medos - como já em 1977 demonstrava um estudo hoje clássico da psicologia desportiva. Àquela época, o psicólogo Michael Mahoney, da Universidade do Estado da Pensilvânia, ao lado do treinador Marshall Avener, perguntou a um grupo de ginastas quais eram seus pensamentos e o que diziam a si mesmas durante uma competição. Verificou que ginastas bem-sucedidas, que chegaram a integrar a equipe olímpica americana, não revelaram menos medo do fracasso que suas concorrentes não qualificadas para a competição. Apenas compensaram melhor a presença do medo encorajando-se continuamente.

Diz a sabedoria popular que a fé move montanhas. Mas há também um nome científico para esse dito: auto-eficácia (self efficacy). O psicólogo americano Albert Bandura situou esse conceito no centro de sua teoria social-cognitiva do aprendizado. Resumidamente, o conceito diz o seguinte: aquilo de que nos acreditamos capazes determina a nossa capacidade real. Se invertermos essa afirmação, veremos que ela significa também que somente quando acreditamos com firmeza no alcance de determinada meta, sem nos deixar intimidar pelo difícil caminho que conduz até ela, conseguiremos alcançá-la.

Visualização, direcionamento da atenção ou automotivação pela palavra, o fato é que, em princípio, até mesmo esportistas de fim de semana podem se servir dos truques do treinamento mental. O desejo de testar os limites do próprio desempenho - hoje, cada vez mais disseminado - faz com que um número crescente de amadores comece também a recorrer ao preparo mental. E a indústria da boa forma acompanha esse movimento: a cena esportiva comercial apressa-se em oferecer muitos serviços duvidosos. O que diferencia o especialista do "guru" é, em primeiro lugar, a objetividade. Por certo, tomar em consideração metas e necessidades individuais significa mais que fazer promessas genéricas de sucesso. Por isso mesmo, todo acompanhamento psicológico-esportivo sério começa com a comparação entre o que é e o que deve ser. Em que nível de desempenho se encontra o atleta? Quais seus problemas e desejos individuais? Somente depois dessa avaliação é possível iniciar a prática de métodos apropriados à promoção do relaxamento, da persistência ou da motivação.

Mas é bom lembrar: o preparo físico e o domínio de técnica e tática continuam sendo o fundamental de todo esporte. Nunca ninguém terminou uma maratona baseado apenas na própria força de vontade.

Técnicas de treinamento mental
Com o auxílio de métodos de treinamento psicológicos, esportistas de ponta buscam melhorar seu potencial de desempenho e otimizá-lo para o momento decisivo. Os principais fatores mentais no treinamento e em competição são: relaxamento, atenção, auto-eficiência (a crença nas próprias forças) e motivação. Não há um cânone estabelecido na psicologia desportiva, mas as técnicas descritas abaixo tiveram sua eficiência comprovada.

Visualização é como os psicólogos do esporte denominam a prática de imaginar interiormente o transcorrer de um movimento ou as metas de uma ação, a fim de melhorar sua coordenação e execução real.

Paralelamente à decomposição do movimento em suas partes constitutivas, a concentração no resultado desejado de uma ação (acertar o buraco no golfe, por exemplo) mostrou-se de particular eficiência. Quando, em vez disso, a imaginação se volta para uma sensação física ou para o impulso da execução em si de um movimento, fala-se em "treinamento ideomotor".

Monólogos interiores direcionados permitem afastar as perturbações oriundas de estímulos exteriores ou pensamentos, ajudando a reforçar a persistência. Tanto quanto possível, o atleta deve se colocar no centro deles (primeira pessoa: eu), tratar de ações concretas ("mover o braço, esticar, bater!", no caso de um saque no tênis) e dar-lhes caráter exortativo ("insista!").

O treinamento autógeno foi desenvolvido pelo psiquiatra alemão Johannes Heinrich Schultz na década de 20 e tinha por objetivo minorar os medos e tensões de seus pacientes. O método centra-se em fórmulas auto-sugestivas, como "estou calmo!" ou "minha perna está muito pesada!". São fórmulas que o praticante diz a si mesmo, sentado ou deitado confortavelmente, e nas quais se concentra por inteiro. Em estágios avançados, conseguirá direcionar seu foco mental também para funções corpóreas, tais como a respiração e o pulso.

No relaxamento muscular progressivo, a alternância entre contração e distensão de partes do corpo, como ombros ou braços, produz um nítido efeito de relaxamento. O fisiologista Edmund Jacobson criou um plano sistemático para sua prática que cobre os principais grupos musculares do corpo humano.



Como driblar emoções
Esportistas também sofrem com a perda de uma pessoa amada, entram em depressão após uma derrota, podem tender para a dependência química ou irritar-se com a própria agressividade. Além disso, estão mais sujeitos a lesões musculares, ao afastamento do país de origem, com conseqüente distanciamento da família e dos amigos, e à falta de privacidade devido ao assédio da imprensa e de fãs.

A psicologia do esporte é ferramenta importante para lidar com essas situações. A especialidade, que já conquistou um grande espaço em outros países, vem ganhando cada vez mais adeptos no Brasil. Benno Becker Júnior, presidente honorário da Sociedade Brasileira de Psicologia do Esporte, considera ampla a aplicabilidade dessa disciplina, que visa "investigar as causas e os efeitos das ocorrências psíquicas que o ser humano apresenta antes, durante e após a prática do ato físico, seja este de cunho educativo, seja recreativo, competitivo ou reabilitador". O bom desempenho do atleta, em todas as modalidades, depende, no fundo, do equilíbrio emocional de quem se habilita à disputa. Contam também a persistência no treino, o temperamento do atleta, a forma como é exercida a liderança de equipe e a influência positiva ou negativa da torcida.

João Ricardo Cozac, diretor do Centro de Estudo e Pesquisa da Psicologia do Esporte (Ceppe), em São Paulo, argumenta que oferecer aos atletas respaldo psicológico é tão importante quanto lhes fornecer alimentação balanceada e programada por nutricionistas. "Afinal, o corpo físico e o estado mental", ressalta, "são duas faces de uma mesma unidade e merecem igual atenção."

De acordo com Cozac, a principal influência no Brasil vem dos Estados Unidos, onde os primeiros estudos datam do fim do século XIX, com pesquisas sobre o desempenho de ciclistas. Apesar de ser mais destacada no Rio Grande do Sul, em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, o desenvolvimento da disciplina ainda deixa a desejar. Cozac reclama da falta de divulgação das pesquisas. Ele lembra que preconceitos ainda envolvem a especialidade: ser aceito pela equipe técnica, pelo atleta, e em alguns casos até pela torcida, é um desafio para o psicólogo do esporte. A resistência a esse trabalho costuma ser maior no futebol; modalidades como tênis, vôlei e basquete são mais receptivas.

A psicologia do esporte, entretanto, não deve ser vista como uma estratégia miraculosa. A disciplina se volta ao estudo de fatores comportamentais que interferem na participação ou no desempenho no esporte ou que são influenciados por ele. Atualmente há psicólogos que atuam com a diretriz psicanalítica e outros com abordagens para embasar a psicoterapia breve. A maioria, no entanto, parece preferir a terapia comportamental-cognitiva.

No caso de lesões que provocam o afastamento temporário ou definitivo das atividades esportivas, os problemas emocionais tendem a se agravar e podem resultar em depressão, ansiedade, fortes sentimentos de raiva, negação e revolta, abalando a auto-estima. Nesses casos, o período de reabilitação pode ser prolongado. "Na cabeça do atleta", esclarece Becker, "surgem conflitos que parecem não ter solução imediata, como o abandono definitivo da carreira e as implicações financeiras e sociais decorrentes." Também é preciso considerar a perda, momentânea ou não, de popularidade e status, que pode dificultar a transição para uma vida normal. O afastamento de amigos e familiares contribui para agravar a situação.

Além das derrotas, o potencial de vitória e a consagração também demandam trabalho psicológico, como alerta a psicóloga Verena Freire. "Para trabalhar a vitória é preciso saber, antes de mais nada, o que pode incomodar um atleta que vence." Ela adverte que alguns devem ser alertados quanto ao estado de acomodação se estão convencidos de que já alcançaram seu objetivo. Excesso de confiança também pode prejudicar a performance. "Merecem atenção aqueles que se encantam com fama e fortuna, envolvendo-se negativamente com drogas, mulheres, bebidas e dívidas", ressalta a psicóloga.

Derrotas e conquistas são paradoxais. "Às vezes, ficar em 20º lugar em um campeonato mundial pode significar um bom resultado. Mas conquistar o segundo pode ser frustrante para quem esperava ser o pri-meiro", compara Freire. Por isso ela procura enfatizar o aspecto educativo das derrotas. "Para pessoas muito autoritárias, elas podem ser até saudáveis", comenta.

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